Entenda os impactos da seca e plantio tardio na safra de milho 2025/26

Entenda os impactos da seca e plantio tardio na safra de milho 2025/26

Estimativas iniciais da Agroconsult apontam para uma safra de 112,1 milhões de toneladas

15/05/2026 Fonte original

A safra brasileira de milho 2025/26 começou a mudar de direção antes mesmo do início da colheita. Depois do recorde histórico registrado no último ciclo, o mercado agora passa a conviver com um cenário mais desafiador, marcado por seca em regiões estratégicas, atraso no plantio e piora nas estimativas de produtividade.

O sinal de alerta veio da Agroconsult, responsável pelo Rally da Safra, uma das principais expedições técnicas do agronegócio nacional. O levantamento preliminar aponta deterioração das condições produtivas em parte importante do cinturão agrícola brasileiro, especialmente em Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

A combinação entre irregularidade das chuvas e atraso na implantação da segunda safra já começa a comprometer o potencial das lavouras e altera as perspectivas para o mercado de commodities agrícolas nos próximos meses.

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Produção de milho deve ficar abaixo do recorde da safra passada

A estimativa inicial da Agroconsult indica que a segunda safra de milho — principal motor da produção nacional — deve alcançar 112,1 milhões de toneladas em 2025/26.

O volume representa uma queda relevante em relação às 123,9 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, considerada uma das maiores da história do agronegócio brasileiro.

Quando consideradas todas as safras, a produção nacional de milho deve atingir 140,5 milhões de toneladas, abaixo das 151 milhões registradas em 2024/25.

Embora o Brasil ainda mantenha uma safra robusta, o mercado já começa a recalibrar expectativas diante da perda de produtividade em diversas regiões produtoras.

Atraso no plantio virou o principal ponto de preocupação

O primeiro grande contraste da temporada está diretamente ligado ao calendário agrícola.

O excesso de chuvas entre fevereiro e março prolongou o ciclo da soja em várias regiões do país, atrasando a colheita e reduzindo o ritmo de implantação do milho segunda safra.

Na prática, isso empurrou parte das lavouras para fora da chamada “janela ideal” de plantio — período considerado mais seguro do ponto de vista climático.

Quando o milho é semeado fora dessa janela, aumenta o risco de a lavoura enfrentar estiagem justamente nas fases mais sensíveis do desenvolvimento, como polinização e enchimento de grãos.

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Goiás concentra um dos cenários mais críticos da safra

Entre os estados monitorados, Goiás aparece como um dos casos mais preocupantes. Segundo a consultoria, cerca de 46% das áreas foram plantadas fora da janela ideal, em um calendário considerado de alto risco climático.

O cenário contrasta com o observado em regiões do Oeste e Médio-Norte de Mato Grosso, onde aproximadamente 95% das lavouras foram implantadas dentro do período recomendado, reduzindo a exposição às adversidades climáticas.

Essa diferença de calendário pode ser determinante para o resultado final da safra brasileira.

Abril seco agravou perdas nas lavouras

Além do atraso no plantio, o comportamento do clima em abril agravou ainda mais a situação das lavouras. Algumas regiões produtoras chegaram a enfrentar até 30 dias consecutivos sem chuvas.

As áreas que tiveram plantio mais tardio coincidiram justamente com aquelas que registraram os menores volumes de precipitação, ampliando o estresse hídrico nas plantas. O impacto já aparece nas projeções de produtividade.

Produtividade do milho recua em praticamente todo o país

A produtividade média estimada para a safra 2025/26 caiu de 114,4 sacas por hectare no ciclo passado para 101,9 sacas por hectare nesta temporada.

Com exceção de São Paulo, todos os principais estados produtores devem registrar rendimento inferior ao observado em 2024/25.

Parte dessa queda está ligada às adversidades climáticas deste ano. Mas há também um efeito estatístico importante: a safra anterior foi uma das mais produtivas já registradas no Brasil. Ainda assim, o recuo atual chama atenção do mercado pela abrangência das perdas.

Goiás lidera queda de produtividade entre grandes produtores

Os números preliminares mostram deterioração relevante em estados estratégicos para a produção nacional. A estimativa atual aponta produtividade de 90 sacas por hectare, contra 127 sacas no ciclo passado.

No Mato Grosso do Sul, a projeção caiu de 102 para 90,5 sacas por hectare. Já no Paraná, a expectativa recuou de 104,5 para 92,5 sacas.

Mato Grosso também deve apresentar redução, embora siga como destaque positivo nacional. A estimativa atual indica produtividade de 123 sacas por hectare, abaixo das 131,9 sacas registradas na safra 2024/25.  

Área plantada cresceu, mas avanço foi limitado pelo risco climático

Apesar das dificuldades climáticas, parte dos produtores manteve a expansão da área destinada ao milho segunda safra.

Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul devem registrar crescimento próximo de 4% na área cultivada. Na direção oposta, Goiás e Minas Gerais devem apresentar retração próxima de 5%.

No consolidado nacional, a área plantada da segunda safra deve atingir 18,3 milhões de hectares, avanço de 1,5% sobre o ciclo anterior.

Segundo a Agroconsult, o crescimento poderia ter sido maior, mas muitos produtores decidiram rever o planejamento diante do atraso do calendário agrícola e do aumento dos riscos climáticos.

O que isso muda para o mercado do milho?

A possibilidade de uma safra menor já começa a influenciar o comportamento do mercado. Quando surgem sinais de quebra de produtividade no Brasil, um dos maiores exportadores globais de milho, investidores, tradings e consumidores passam a monitorar possíveis impactos sobre oferta, exportações e preços futuros.

O movimento também ganha relevância porque o milho hoje ocupa papel estratégico em vários segmentos, como exportação, produção de ração, proteína animal, etanol de milho e abastecimento interno.

Caso as perdas se consolidem, o mercado futuro pode apresentar aumento de volatilidade nos próximos meses.

Esse tipo de movimentação é acompanhado diariamente na Sala Trader do Portal das Commodities, especialmente em períodos de definição climática das safras brasileiras.

Entenda como hedge e contratos futuros ajudam o produtor

Em momentos de maior incerteza, ferramentas de gestão de risco ganham importância no agronegócio.

O que é hedge?

“Hedge” é uma estratégia de proteção de preços muito utilizada no mercado de commodities. Funciona como uma espécie de “seguro” financeiro: o produtor trava previamente um preço para parte da produção, reduzindo o risco de vender a safra em momentos de queda acentuada das cotações.

E o que é contrato futuro?

O contrato futuro é o instrumento negociado na bolsa que permite essa proteção.

Ele estabelece antecipadamente: preço, prazo e o volume negociado. Na prática, isso ajuda o produtor a ter mais previsibilidade sobre receita, fluxo de caixa e margem da operação.

Para quem deseja aprofundar o entendimento sobre sazonalidade do milho, estratégias de comercialização e proteção de preços, o Curso do Milhão do Portal das Commodities aborda justamente os principais movimentos do mercado de milho e contratos futuros aplicados ao dia a dia do agro.

Chuvas de maio serão decisivas para o mercado

O mercado agora acompanha com atenção o comportamento climático de maio. Segundo a Agroconsult, as próximas semanas serão determinantes para consolidar ou limitar ainda mais o potencial produtivo das lavouras brasileiras.

Em um ambiente de custos elevados, clima irregular e maior volatilidade nos preços agrícolas, o produtor que acompanha mercado, clima e gestão de risco com antecedência tende a atravessar períodos de incerteza com mais segurança e previsibilidade financeira.




Fonte: https://monitordomercado.com.br/noticias/commodities/383023-safra-de-milho-deve-perder-forca-pressionada-pela-seca-e-plantio-tardio-aponta-agroconsult/



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